O Natimorto

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O Natimorto 

“Não é só a razão, mas também a nossa consciência, que submetem ao nosso instinto mais forte, ao tirano que habita em nós” (Friedrich Nietzsche).

A Cia do Piolho tomou ao longo de sua jornada genuíno gosto pela pesquisa humana muito influenciada pelos trabalhos de introspecção que realizou a partir de pesquisa de técnicas de improviso com o Teatro das Emoções. O Material de pesquisa utilizado nessa ocasião eram histórias marcantes da vida dos próprios integrantes. Passamos a compartilhar sentimentos, feridas abertas, mágoas, alegrias e descobríamos paulatinamente como nosso presente é diretamente influenciado pelo que vivemos e carregamos no passado, na infância. Observamos também como repetições e situações negativas em nossa vida em geral tem alguma prisão com algo não resolvido da nossa história. O teatro para a Cia do Piolho passou a ser sinônimo de auto-conhecimento e nossa relação com essa arte foi profundamente transformada e aprimorada a partir de então.

O Tempo passou, o trabalho com o Teatro das Emoções continuou e em 2015 tomamos contato com a obra “O Natimorto” de Lourenço Mutarelli. Percebemos no texto um grande potencial para aprofundar nossa pesquisa em questões humanas e torna-la base para um projeto de montagem que pudesse, de alguma forma, comunicar ao nosso público o que vivemos e acreditamos. A pesquisa a partir desta obra caminha para a montagem da peça.

Trata-se de uma pesquisa robusta a cerca da psique humana

Partimos da premissa de que nem sempre nossas ações, decisões e relacionamentos acontecem de forma clara e consciente e por vezes somos regidos por forças sombrias (inconscientes), pactos de vinganças, auto-sabotagens e auto-ódio. Entender que há um louco em cada um de nós é o primeiro passo para conseguirmos ir além da nossa sombra.

“O louco” é a primeira carta do tarot, a carta de número zero, representando o despertar da aventura do seu “eu” interior. Ela precede os próximos 21 arcanos que narram a aventura do homem rumo ao seu despertar. 
Nossa pesquisa teatral envolve desvendar, enxergar e compreender as máscaras utilizadas em nosso convívio social e que por vezes rompem com nossa espontaneidade, abrindo caminho para manifestações desumanas, depressões e por vezes diagnósticos mais críticos.

Escolhemos o corpo para comunicar ao público nossas idéias, descobertas e indagações. Entendemos ser este também um ponto forte de nossa pesquisa. O teatro tem como característica a constante renovação de sua linguagem. Apostamos na dança-teatro para percorrer a pesquisa que fazemos e entendemos estar com ela colaborando para a renovação e o fortalecimento da cena no teatro paulistano.

A Cia do Piolho, comemorando seu quinto ano de formação e resistência, se sentirá honrada em dividir seu processo de pesquisa por meio de seu mais novo espetáculo.

Parceiros Artísticos

  • Alexandre Maronna, delirante, moderno e eficiente produtor – responsável por organizar, estruturar e transformar ideias em realidade.
  • Débora Catilho, com sua afiada lente capta imagens do processo de criação, liquidificando movimentos e traduzindo situações inimagináveis ao público.
  • Edson Pará, talentosíssimo fotógrafo e vídeo-artísta, clica nossas coceiras e as traduz ao mundo com seu cirúrgico olhar.
  • Pedro Augusto, popular “Pedrinho”, técnico-performer e iluminador da cia Mungunzá, soma ao projeto no pensamento conceitual voltado para o desenho de luz e experimentos plásticos cenográficos.
  • Ricardo Nash, ator, músico e pesquisador assume a direção geral do projeto enriquecendo o processo de pesquisa da obra e traduzindo o impulso criativo da Cia do Piolho nas formas inacabadas da voz.
  • Sylvia Prado, reconhecida por suas pronunciadas atuações no Teatro Oficina, assume a direção arquitetônica de O Natimorto pensando, criando, (des)harmonizando e materializando o espaço cênico e figurino do espetáculo.